Saída para idosos

Ao invés de queixar-se, siga o modelo do químico Harold Schlumberg. Na sua velhice usa o que aprendeu com a sua profissão para torná-la mais atraente.
Não é fácil ser idoso, mas ser velho resmungão é duro…

– “Muita gente me pergunta, o que fazem os velhos depois de aposentados (reformados)”
– “Bem, eu tenho a sorte de ser licenciado em Engenharia Química e uma das coisas que mais me agrada fazer é transformar cervejas, vinhos e outras bebidas alcoólicas em Urina”

Viu? É difícil?

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Médicos e Planos de Saúde

É longo mas não deixe de ler…

Médicos que vivem da clínica particular são aves raríssimas. Mais de 97% prestam serviços aos planos de saúde e recebem de R$ 8 a R$ 32,00 por consulta. Em média, R$ 20.

Os responsáveis pelos planos de saúde alegam que os avanços tecnológicos encarecem a assistência médica de tal forma que fica impossível aumentar a remuneração sem repassar os custos para os usuários já sobrecarregados. Os sindicatos e os conselhos de medicina desconfiam seriamente de tal justificativa, uma vez que as empresas
não lhes permitem acesso às planilhas de custos.
Tempos atrás, a Fipe realizou um levantamento do custo de um consultório-padrã o, alugado por R$ 750 num prédio cujo condomínio custasse apenas R$ 150 e que pagasse os seguintes salários: R$ 650 à atendente, R$ 600 a uma auxiliar de enfermagem, R$ 275 à faxineira e R$ 224 ao contador.
Somados os encargos sociais (correspondentes a 65% dos salários), os benefícios, as contas de luz, água, gás e telefone, impostos e taxas da prefeitura, gastos com a conservação do imóvel, material de consumo, custos operacionais e aqueles necessários para a realização
da atividade profissional, esse consultório-padrã o exigiria R$ 5.179,62 por mês para sua manutenção.

Voltemos às consultas, razão de existirem os consultórios médicos.
Em princípio, cada consulta pode gerar de zero a um ou mais retornos para trazer os resultados dos exames pedidos. Os técnicos calculam que 50% a 60% das consultas médicas geram retornos pelos quais os convênios e planos de saúde não desembolsam um centavo sequer.
Façamos a conta: a R$ 20 em média por consulta, para cobrir os R$ 5.179,62 é preciso atender 258 pessoas por mês. Como cerca de metade delas retorna com os resultados, serão necessários: 258 + 129 = 387 atendimentos mensais unicamente para cobrir as despesas obrigatórias.
Como o número médio de dias úteis é de 21,5 por mês, entre consultas e retornos deverão ser atendidas 18 pessoas por dia!
Se ele pretender ganhar R$ 5.000 por mês (dos quais serão
descontados R$ 1.402 de impostos) para compensar os seis anos de curso universitário em tempo integral pago pela maioria que não tem acesso às universidades públicas, os quatro anos de residência e a necessidade de atualização permanente, precisará atender 36 clientes todos os dias, de segunda a sexta-feira. Ou seja, a média de 4,5 pacientes consultados por hora, num dia de oito horas ininterruptas.
Por isso, os usuários dos planos de saúde se queixam: “Os médicos não examinam mais a gente”; “O médico nem olhou a minha cara, ficou de cabeça baixa preenchendo o pedido de exames enquanto eu falava”; “Minha consulta durou cinco minutos”.
É possível exercer a profissão com competência nessa velocidade?
Com a experiência de quem atende doentes há quase 40 anos, posso garantir-lhes que não é. O bom exercício da medicina exige, além do exame físico cuidadoso, observação acurada, atenção à história da moléstia, à descrição dos sintomas, aos fatores de melhora e piora, uma análise, ainda que sumária, das condições de vida e da personalidade do paciente. Levando em conta, ainda, que os seres humanos costumam ser pouco objetivos ao relatar seus males, cabe ao profissional orientá-los a fazê-lo com mais precisão para não omitir detalhes fundamentais. A probabilidade de cometer erros graves aumenta perigosamente quando avaliamos quadros clínicos complexos entre 10 e 15 minutos.
O que os empresários dos planos de saúde parecem não enxergar é que, embora consigam mão-de-obra barata – graças à proliferação de faculdades de medicina que privilegiou números em detrimento da qualidade -, acabam perdendo dinheiro ao pagar honorários tão insignificantes: médicos que não dispõem de tempo a “perder” com as
queixas e o exame físico dos pacientes, pedem exames desnecessários.
Tossiu? Raios X de tórax. O resultado veio normal? Tomografia computadorizada. É mais rápido do que considerar as características do quadro, dar explicações detalhadas e observar a evolução. E tem boa chance de deixar o doente com a impressão de que está sendo cuidado.
A economia no preço da consulta resulta em contas astronômicas pagas aos hospitais, onde vão parar os pacientes por falta de diagnóstico precoce, aos laboratórios e serviços de radiologia, cujas redes se expandem a olhos vistos pelas cidades brasileiras. Por essa razão, os concursos para residência de especialidades que realizam procedimentos e exames subsidiários estão cada vez mais concorridos, enquanto os de clínica e cirurgia são desprestigiados.
Aos médicos, que atendem a troco de tão pouco, só resta a
alternativa de explicar à população que é tarefa impossível trabalhar nessas condições e pedir descredenciamento em massa dos planos que oferecem remuneração vil. É mais respeitoso com a medicina procurar outros meios de ganhar a vida do que universalizar o cinismo injustificável do “eles fingem que pagam, a gente finge que atende”.
O usuário, ao contratar um plano de saúde, deve sempre perguntar quanto receberão por consulta os profissionais cujos nomes constam da lista de conveniados. Longe de mim desmerecer qualquer tipo de trabalho, mas eu teria medo de ser atendido por um médico que vai receber bem menos do que um encanador cobra para desentupir o banheiro da minha casa. Sinceramente.

Dráuzio Varella

Só para complementar
– Uma colposcopia R$ 8,00: uma manicure ganha mais por mão em menos tempo.
– Uma cesárea ou um parto normal (que pode durar 24 horas): de R$250,00 a R$550,00 (cirurgião e auxiliar inclusos): uma prostituta ganha mais em menos tempo com a mesma exposição a agentes biológicos.

(agora imaginem a situação de psicólogos, nutriucionistas, fisioterapeutas e outros paramédicos, que vivam de convenios)

Como anda a Educação

Quando eu tinha 18 anos dava aula em uma escola que ficava a quase 5 quilometros da minha casa e fazia o trajeto andando, na maioria dos dias. Era um tempo bom aquele. Quando ia aproximando-me da escola as alunas iam saindo de suas casas e me acompanhando contando “causos” ou perguntando “curiosas” sobre mim. Eu extremamente vaidosa da profissão não me furtava às respostas aproveitando o ensejo para massagear o meu ego. Era uma época boa (final dos anos 60) em que ser professor era motivo de orgulho. Qualquer pai desejava para as suas filhas uma escola. Era a profissão mais cobiçada para as mulheres.
Os pais, principalmente as mães, corriam à escola pedir conselhos para a professora que era mais a psicóloga das famílias. O que a professora falava era “lei”.
Havia, na época, professores que “judiavam” das crianças de forma até bizarra como aqueles que colocavam orelhas de burro no aluno que não aprendia. Lembro de voltando para casa, depois de um dia de aulas, passar na frente de uma escola onde lecionava um professor já meio adiantado na idade que gritava impropérios do tipo “seus burros”,dirigindo-se aos alunos…Eu sentia-me incomodada com aquilo mas chamar o outro de burro não era novidade para qualquer português…Mas era errado, no meu conceito. Afinal, eu confessara certa vez para o padre, quando era obrigada a confessar todo o mês como boa católica, que eu chamara minhas irmãs de burras. Enfim, se confessei era pecado. Certo?
Mas voltando à escola, e como o o que é bom não dura para sempre, agora, passados 40 anos o que vemos são manchetes deste tipo:
Após pichar a escola, aluno é obrigado pela professora a pintar a parede.
Mãe reclama da bronca dada pela docente em escola do RS.
Unidade havia acabado de ser pintada em um mutirão.
Professores têm que cuidar da forma como tratam os seus alunos – isto é fato. Ninguem discorda, certo?
Mas a justiça está aí para punir essa professora que ficou desapontada com a atitude do aluno pichador. Precisamos aprender a dar bronca tranquilamente para não falarmos o que não devemos. Isso vale em todas as situações. Agora só um recado para a mãe melindrada: A senhora tem razão de se zangar. Quem deu a essa professora o direito de xingar o seu filho…Qaul foi mesmo o xingamento? Ah, é, “bobo da corte”. Sabe mãe, ao invés de reclamar da professora não seria melhor rever os conceitos que a senhora tem de educação juntamente com o seu filho?
Cá para nós, eu nem acho que ele foi o bobo da corte…bobos da corte são os professores que se dão ao trabalho de tentar tornar a Escola um lugar melhor para os seus alunos e encontram esse tipo de impedimento no caminho. Vamos repensar na Escola que queremos para as nossas crianças.