Como anda a Educação

Quando eu tinha 18 anos dava aula em uma escola que ficava a quase 5 quilometros da minha casa e fazia o trajeto andando, na maioria dos dias. Era um tempo bom aquele. Quando ia aproximando-me da escola as alunas iam saindo de suas casas e me acompanhando contando “causos” ou perguntando “curiosas” sobre mim. Eu extremamente vaidosa da profissão não me furtava às respostas aproveitando o ensejo para massagear o meu ego. Era uma época boa (final dos anos 60) em que ser professor era motivo de orgulho. Qualquer pai desejava para as suas filhas uma escola. Era a profissão mais cobiçada para as mulheres.
Os pais, principalmente as mães, corriam à escola pedir conselhos para a professora que era mais a psicóloga das famílias. O que a professora falava era “lei”.
Havia, na época, professores que “judiavam” das crianças de forma até bizarra como aqueles que colocavam orelhas de burro no aluno que não aprendia. Lembro de voltando para casa, depois de um dia de aulas, passar na frente de uma escola onde lecionava um professor já meio adiantado na idade que gritava impropérios do tipo “seus burros”,dirigindo-se aos alunos…Eu sentia-me incomodada com aquilo mas chamar o outro de burro não era novidade para qualquer português…Mas era errado, no meu conceito. Afinal, eu confessara certa vez para o padre, quando era obrigada a confessar todo o mês como boa católica, que eu chamara minhas irmãs de burras. Enfim, se confessei era pecado. Certo?
Mas voltando à escola, e como o o que é bom não dura para sempre, agora, passados 40 anos o que vemos são manchetes deste tipo:
Após pichar a escola, aluno é obrigado pela professora a pintar a parede.
Mãe reclama da bronca dada pela docente em escola do RS.
Unidade havia acabado de ser pintada em um mutirão.
Professores têm que cuidar da forma como tratam os seus alunos – isto é fato. Ninguem discorda, certo?
Mas a justiça está aí para punir essa professora que ficou desapontada com a atitude do aluno pichador. Precisamos aprender a dar bronca tranquilamente para não falarmos o que não devemos. Isso vale em todas as situações. Agora só um recado para a mãe melindrada: A senhora tem razão de se zangar. Quem deu a essa professora o direito de xingar o seu filho…Qaul foi mesmo o xingamento? Ah, é, “bobo da corte”. Sabe mãe, ao invés de reclamar da professora não seria melhor rever os conceitos que a senhora tem de educação juntamente com o seu filho?
Cá para nós, eu nem acho que ele foi o bobo da corte…bobos da corte são os professores que se dão ao trabalho de tentar tornar a Escola um lugar melhor para os seus alunos e encontram esse tipo de impedimento no caminho. Vamos repensar na Escola que queremos para as nossas crianças.

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Um pensamento sobre “Como anda a Educação

  1. ALUNO, FILHO DE PROFESSORA

    Claudeci Ferreira de Andrade

    Uma mãe que também é professora, de cujo filho sou professor, disse-me a coordenadora que ela estava aterrorizada por medo de que eu pudesse estar marcando seu filho para a reprovação! Isso aconteceu pela terceira vez, pois ela mesma já tinha falado comigo. Na tal conversa, falei quem era seu filho na sala: um dos piores, em comportamento e aprendizagem. Eu não condeno essa mãe professora por alimentar tamanho medo. Apenas compreendo ternamente e procurei ganhar melhor a sua confiança com a verdade.

    Estou aprendendo muito com esse filho de professora. Já tive outros filhos de professor como aluno. Mas, eu os tinha sempre como exemplos de aluno, apesar do fato de que evidentemente eles nunca foram bons exemplos, tratavam-me com o mesmo descaso que provavelmente tratavam seus pais, pelo o motivo que eles sempre misturam os papéis: o professor na pele de mãe e a mãe na pele de professor. Mesmo que esse aluno basicamente se preocupasse comigo e com os colegas, não deixou de se colocar como fofoqueiro, inventando tantas mentiras para denegrir minha imagem perante sua mãe; sentia grande necessidade de ter cuidado de si mesmo. Não confia em professor algum.

    Não obstante, agora estou coagido a ceder a seus caprichos, ele levanta a hora que quer, não posso impedi-lo de ir ao banheiro, conversa à vontade, perturbando o bom andamento da aula, pois não posso repreendê-lo. E estou obrigado pelas circunstâncias a facilitar para que tire notas boas, tenho medo que interprete minha atitude de bom professor como marcação; conte à sua mãe, e ela venha correndo pela quarta vez à escola, e dessa vez fale com a diretora.

    Que visão acanhada! Como me dissesse que não é capaz de acompanhar os outros com a mesma competência. Eu não poderia admitir por fim que seja destruído, mas sua mãe não me deixa trabalhar melhor.

    Eu sei que condenando esse aluno, não estaria resolvendo o seu problema. Isto jamais resolve os problemas de alguém. Assim, o melhor que posso fazer é deixá-lo tranquilo, não o prejudicarei mais do que já estar e que descubra ao longo de sua vida escolar que tem diferença entre professores. Não sou de marcar aluno, afinal, não chamo a atenção de aluno algum que não seja para demonstrar maior cuidado.

    Agora estou condescendendo com esse aluno, por medo do que poderá acontecer à minha reputação e por se tratar de um filho de professora, perdi a confiança e o respeito dele. Sei que somente quando chegar a perceber que minha atitude anterior — antes de descobrir que ele é filho de professora — seria seu melhor caminho, totalmente adequado, vai lamentar, pois poderá ser tarde demais para que nossos temores finalmente sejam desfeitos.

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