Fernando Pessoa

Esperando passar a hora, (paciente desmarcado), peguei um dos meus livros favoritos – Poesias Completas de Álvaro de Campos – e, tem esta que bate profundamente:

Tabacaria

“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso,tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(parte mais conhecida do poema)

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
à Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho,como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos,
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E, quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela,sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?

Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não fiz.

Parece que esta é uma reflexão que ocorre com alguns viventes que gostam de se entreter consigo. A introspecção nos leva a mundos recônditos em nós.
Aconselho a leitura do poema completo.

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